Vaguear » Parque Nacional | National Park

Um Olhar Global Sobre o Parque | A Global look at the Park

 

De Pitões das Júnias a Castro Laboreiro são imensos os quilómetros que percorremos de carro através de toda a orla costeira do seu coração, o Parque Nacional da Peneda-Gerês, o último reduto isolado de Portugal, mais de setenta mil hectares de território num dos majestosos locais partilhados entre o Homem e a Natureza, onde a sobrevivência de algumas espécies continua a ser de risco. Em conversa com alguns notáveis elementos da gestão do Parque Nacional, e também de todos os Parques Naturais, o ICNF (Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas) percebemos que espécies deixaram de existir, nunca mais poderão voltar ao nosso Parque, como são exemplo as Cabras Lusitanas, declaradas extintas ou mesmo o Urso Pardo (que há muito tempo abandonou o nosso território), outras espécies estiveram também no limiar de se perderem para sempre, mal amados pela pastorícia, prezados e protegidos por entidades como o CiBio e o Grupo Lobo ou mesmo o gigante Achli (Associação de Conservação do Habitat do Lobo Ibérico). Canis Lupus Signatus, o Lobo Ibérico, a espécie que levanta em alvoroço cada vez mais turistas que pouco ou nada percebem da matéria que vão questionando sobre a sua presença e mesmo sobre a sua protecção no Parque. Mas segundo o ICNF outras espécies estão a regressar aos poucos ao nosso Parque Nacional depois de um desaparecimento atroz na década de 70 e 80, o Abutre Preto, O Grifo e a Águia Real. Estará a sociedade actualmente preparada para receber de novo estas espécies, de proteger o território de Lobo e mudar a configuração autóctone do Parque Nacional?

Poço Esmeralda, Serra do Gerês | Emerald Pool , Gerês Mountain.

   Em finais de 98 através de um erro crasso na fronteira espanhola, recebemos por engano dezenas de Cabras Montês (Capra Pyrenaica), uma espécie idêntica à nossa extinta no século XIX, e hoje quase se poderia dizer, que é um dos símbolos vivos do nosso Parque, tal é o seu avanço sobre o território. Em 2018 o efectivo era ainda uma incógnita, porque não têm sido realizados censos na espécie, infelizmente, mas chegaria às montanhas de Castro Laboreiro, começando a ocupar um espaço por quase todo o Parque Nacional. Sobre isto paira a sombra que divide e continuará a dividir as opiniões, a abertura à Caça Selectiva da espécie pelo perigo que poderá vir a representar um número excedente quer para a flora quer para pandemias que possam surgir futuramente. Neste claustro a nossa opinião vai incidir na  doação de um pouco mais de tempo ao Lobo Ibérico para se adaptar a esta ainda recente espécie, para que possa aprender a caçar, ou a emboscar, numa teoria óbvia do equilíbrio natural.

Capra Pyrenaica, Maciços da Serra do Gerês | Pyrenaica Goat, Gerês Mountain Massif.

 

   O Parque Nacional está a refazer-se aos poucos, o estado português não investe como é óbvio no ICNF, e os efectivos são cada vez menos, mas cada vez mais a sorte de espécies como o Lobo Ibérico e como a Águia Real é que a desistência do pastoreio por parte das aldeias inerentes ao Parque Nacional (desertificação), e aposta frequente no turismo de natureza abre corredores para todas estas espécies, que aos poucos começam a ganhar o controlo sobre a Serra. A aposta em plantações de árvore autóctones faz com que a longo prazo possamos ter de novo clusters de vida selvagem ocupadas pelas presas destes que são considerados os grandes predadores Nacionais. Mas até lá ainda há um caminho muito grande pela frente, uma falta de crença por parte dos amantes das espécies, e um grande senão que renasce também com a falta de pastoreio caprino nas quatro serras do Parque Nacional, os incêndios florestais. Em 2016 e 2017 áreas de proteção total foram devastadas, sem rápido controlo, como foi exemplo a Mata do Ramiscal, que sofreu uma perda sigilosa de grande parte do seu legado autóctone. 

 

 

   Não Obstante, o Parque Nacional necessita deste equilíbrio, ou de uma solução para o desequilibro. A Vaguear.pt tem estado atenta a todas estas movimentações em volta das espécies, em volta da Fauna e da Flora deste território, em contacto permanente com instituições de protecção, em contacto com as aldeias, com as políticas mais recentes de ordenamento do território e essencialmente nas acções que visam as soluções que possam desenhar um melhor futuro para este espaço. Provavelmente nos próximos anos teremos discussões mais acesas no que concerne à Capra Pyrenaica nas redes sociais, o Lobo Ibérico continuará nos assuntos da ordem do dia nas agendas de todas as instituições, e talvez em breve possamos voltar a ver emergir os grandes alados (Águia Real) nas diversas áreas serranas do Parque Nacional, longe vão os tempos em que se envenenavam os animais, isto é por incrível que pareça, uma realidade que percorre as periferias, mas como já referimos, o pastoreio impulsionava uma grande limpeza de mata, e talvez tenhamos que encontrar soluções para este mal que poderá aparecer também futuramente. Fazemos também uma breve referência à necessária introdução de presas inequívocas ao Lobo Ibérico, como serve de amostra o Veado Vermelho para que na falta de gado doméstico possa deixar de descer da serra às aldeias em busca de alimento, ou mesmo permitir que a espécie Garrano também progrida em vez de começar a entrar em declínio.


Garrano, Serra Amarela | Garrano´s Wild Horse, Amarela Mountain.

 

 

   From Pitões das Junias to Castro Laboreiro are immense the miles we drove across the entire coastline of its heart, the Peneda-Gerês National Park, The Last isolated stronghold of Portugal, more than seventy thousand hectares of territory in one of the majestic places shared between Man and Nature, where the survival of some species remains at risk. In a conversation with a few of the notable elements of the management of the National Park, and national Parks, and the ICNF (Institute for Nature Conservation and Forests), we notice that the species no longer exists and will never be able to come back to our Park, such as the example of the Lusitania Goat in the Portuguese territory, declared to be extinct, or the same as those of the Brown Bear (which  left our country territory), and other species were on the brink of being lost forever, hated by the shepherds,  protected by entities such as CiBio and the Wolf Group or even the giant Achli (Association for the Conservation of the Iberian wolf Habitat). Canis Lupus Signatus, the Iberian wolf, the species that raises in uproar more and more tourists who know little or nothing of the matter but are questioning about its presence and even about its protection in the park. But according to the ICNF other species are slowly returning to our National Park after an atrocious disappearance in the 1970s and 1980s, the Black Vulture, The Griffin and the Royal Eagle. Is society now prepared to welcome these species again, to protect wolves territory and to change the indigenous configuration of the National Park?

  At the end of ' 98, through a crass mistake on the Spanish border, we mistakenly received dozens of Capra Pyrenaica, a species identical to our extinct in the 19th century, and today it could almost be said, that it is one of the living symbols of our park, such is its advance over the territory. In 2018 the herd was still unknown, because there have been no censuses on the species, unfortunately, but it would reach the Castro Laboreiro mountains, beginning to occupy a space throughout almost the entire National Park. The shadow that divides and will continue to divide opinions hangs over this, the opening up to selective hunting of the species because of the danger that may represent a surplus number both for flora and for pandemics that may arise in the future. In this cloister our opinion will focus on giving a little more time to the Iberian wolf to adapt to this still new species, so that he can learn to hunt, or to ambush, in an obvious theory of natural equilibrium.

   The National Park itself is a re-make to a few, the state does not invest, as is obvious from the ICNF, and the staff are becoming less and less, but at the same time the most fortunate of the species such as the Iberian Wolf is and how the Eagle is that the abandonment of grazing on the part of the villages that are inherent in the National Park (desertification), and to bet on is frequently used in the mountain areas along with open pathways to all of these species, which gradually begin to gain control of the Saw. The bet on indigenous tree plantations means that in the long term we can once again have Wildlife clusters occupied by the prey of these who are considered the great national predators. But until then there is still a very great path ahead, a lack of belief on the part of species lovers, and a great catch that is also reborn with the lack of goat grazing in the four mountains of the National Park, the forest fires. In 2016 and 2017 total protection areas were devastated, without rapid control, as was the Ramiscal Forest, which suffered a sigilous loss of much of its native legacy.

   Nevertheless, the National Park needs this balance, or a solution to the imbalance. As an organization to wander, it has been attentive to all these movements around the species, around the Fauna and Flora of this territory, in constant contact with protective institutions, in contact with the villages, with the latest policies of spatial planning and essentially in actions aimed at solutions that can design a better future for this space. Probably in the next few years, we will have the most heated discussions in regards to the Capra Pyrenaica in the social network, the Wolf of the Iberian peninsula will continue on the issues of the agenda on the agenda of all higher education institutions, and, perhaps, we will soon be able to return to see the emergence of large-winged insects (golden Eagle) in the different areas of the mountain from the Park, gone are the days in which the envenenavam of the animal, that is to say, incredible as it may seem, a reality that runs through the city outskirts, but as we have already noted, the management drove a huge clearing of the forest, and we may have to find solutions to this evil that may also appear in the future. We also make a brief reference to the necessary introduction of unambiguous prey to the Iberian wolf, as the Red Deer serves as a sample so that in the absence of domestic cattle it can stop descending from the mountain to the villages in search of food, or even allow the Garrano species to also progress instead of starting to decline.

 

   

Capra Pyrenaica, Maciços da Serra do Gerês | Pyrenaica Goat, Gerês Mountain Massif.