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As Cabras e os Lobos

Published on 12 January 2020 at 13:16

Uma relação conturbada que necessita de respostas.

The Goats and the Wolves, A troubled relationship that needs answers.

   Num dos assuntos mais delicados do nosso ponto de vista, debatem-se as frentes desta silenciosa batalha travada entre o pastoreio cada vez menos de subsistência e a espécie Lobo Ibérico. Não foi preciso ir muito longe para perceber que em todas as aldeias do Parque Nacional o problema é grave e promete persistir. Estamos todos, ou quase todos de acordo que a espécie Canis Lupus Signatus, Lobo Ibérico deverá crescer dentro do Parque Nacional, é um bem necessário ao equilíbrio natural, mas por outro lado o Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas precisa de solucionar com as populações a forma como gere o pastoreio que cai de forma drástica. Temos duas espécies que com a ascensão do Lobo no Parque tem vindo a diminuir, uma como resultado dos tempos modernos, e outra por resultado da escassez de alimento para o Lobo Ibérico. O Pastoreio está em declínio, não por culpa directa do Lobo Ibérico, as aldeias vão desertificando na orla do Parque Nacional à medida que os jovens as abandonam para viverem as suas vidas em cidades como Chaves, Braga, Guimarães, ou mesmo mais para sul onde as condições de vida são extremamente mais agradáveis. As questões que se colocam actualmente são, e os que ficam? Os que pretendem manter as seculares tradições do pastoreio? O declínio de uma espécie autóctone chamada Cabra Bravia? O efeito causa sobre outra espécie autóctone, o Garrano? 

   Para responder a estas questões fizemos um pequeno estudo, em grande parte das aldeias do Parque a desistência do pastoreio é aberrante, falamos na ordem dos 70% nestes últimos 5 anos, redução de um efectivo de mais de metade das Cabras Bravias que existem em território nacional, mas, como é uma espécie doméstica de animal cai no esquecimento do ICNF, que face ao declínio do pastoreio esquece pormenores tão importantes como a limpeza da Serra, que são responsáveis pelo papel importante da limpeza de mato rasteiro, uma das melhores efectivas linhas da frente no combate aos incêndios. Com o desaparecimento das cabras bravias no Parque Nacional a serra ganha terreno, transformando alguns clusters em autênticos barris de pólvora. Se o pastoreio em excesso é um problema, o pastoreio em declínio será outro de idênticas dimensões. 

   A cabra bravia é uma verdadeira sapadora,  mantém os trilhos de acesso à serra abertos para que em muitas situações de emergência tanto bombeiros como outras entidades possam  circular, bem como a mais efectiva limpeza de matos que existem na serra. No entanto, e apesar dos esforços de entidades como o Grupo Lobo, os poucos pastores existentes na Serra teimam em não aproveitar as ajudas, e sem o uso de cães próprios de pastoreio, que este grupo oferece junto com a alimentação por dois anos, as cabras ficam vulneráveis à fome do lobo. Em algumas aldeias do baixo Barroso, se em 2015 haviam na freguesia, um número de cabras superiores a 6000, hoje contadas, não chegam às 400, um decréscimo que transformou lugares intransitáveis dentro das áreas de baldios, mesmo para os sapadores locais. O presidente da Câmara de Montalegre tomou este ano as rédeas do leme, com o intuito de não se perder nem a Cabra, nem o Lobo, oferecendo um valor fixo aos pastores dependendo do número de cabeças de gado, que é dado caso o lobo ataque as suas cabras ou não. Uma tentativa de emergência para travar ou estancar o desaparecimento mais do que provável desta espécie, que sustenta não apenas as tradições mas a gastronomia local.

   O Garrano tem vindo a ser a espécie mais prejudicada com o desaparecimento das cabras bravias, enquanto que o Lobo Ibérico ia atacando um pouco por todo o lado e revezando entre grupos de pastoreio, hoje em dia, com a escassez de cabras vira-se cada vez mais para o Garrano, todas as semanas chegam relatos de ataques a esta espécie autóctone que terá milhares anos também, transformando-se na principal presa do Lobo na actualidade do Parque e por incrível que pareça, entra também em ciclo de perigo de extinção. A solução passa por reintrodução de espécies equilibradas para o lobo, como é exemplo o Veado Vermelho, uma espécie que se reproduz com enorme eficácia, que se adaptaria bem ao Parque Nacional, que ira providenciar o melhor alimento ao Lobo, o seu preferido e iria solucionar outro problema que aqui ainda não foi falado. O pastoreio na serra faz-se nos meses mais quentes, com maior quantidade de animais na Serra, durante o inverno, tanto Garranos como gado doméstico andam mais nas periferias das aldeias, o que faz com que o Lobo também desça à procura do alimento, resultando tragicamente em ataques aos campos onde os pastores deixam ovelhas, ataques a cães dentro das suas propriedades, e um conflito mais próximo com o ser humano. Ao introduzir certas presas para o Lobo, acabamos por manter ambas as espécies no coração da Serra, o Veado Vermelho, ao contrario do Garrano, não desce da serra às periferias, seria uma enorme solução para o Parque Nacional, para o Lobo e para o pastoreio. 

   O Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas também terá que mudar a sua atitude perante as aldeias, dão a sensação que querem a desertificação ao invés do equilíbrio, as relações com este organismo do estado estão cada vez mais por um fio, alguns exemplos são as cabras esventradas pelo lobo cuja análise dos técnicos do ICNF dão como inconclusivas as provas. Mesmo em alta serra temos tido cabras e gado bovino esventrado por predador e os pagamentos a virem negados, por falta de provas. Como sabemos não há outro predador no Parque Nacional, quem conhece a serra sabe que não há espaço para matilhas de cães, que não existem, os lobos fazem a sua limpeza selectiva no seu território, e cada vez mais, portanto, sendo o único predador, é lamentável que o organismo dificulte a vida aos poucos ainda existentes pastores que trabalham até mais por paixão. Enquanto as atitudes não mudarem, enquanto não houver equilíbrio, o Lobo estará sempre em cima da mesa de discussões e de guerras abertas entre os lesados e os que governam. 

 

 

Pequeno Cabrito Bravio | Small Brave Goat.

 

   In one of the most delicate matters from our point of view, we are debating the fronts of this silent battle fought between the less and less subsistence grazing and the Iberian wolf species. It did not take much to realize that in all the villages of the National Park the problem is serious and promises to persist. We all, or almost all, agree that the species Canis Lupus Signatus, Iberian wolf should grow within the National Park, is a necessary good for natural balance, but on the other hand the Institute of Nature Conservation and forests needs to solve with the populations the way it manages the grazing that falls dramatically. We have two species that with the ascent of The Wolf in the park has been decreasing, one as a result of modern times, and another as a result of the scarcity of food for the Iberian wolf. The grazing is in decline, not because of the Iberian wolf, the villages are defecting on the edge of the National Park as young people abandon them to live their lives in cities such as Chaves, Braga, Guimarães, or even further south where living conditions are extremely pleasant. The questions currently being asked Are, and what remain? Those who intend to maintain the centuries-old traditions of grazing? The decline of an indigenous species called The Goat Bravia? The effect on another native species, the Garrano? 

   In order to answer these questions, we have made a small study, a large part of the villages of the Park, to the abandonment of grazing, it is aberrant, we speak of something in the order of 70% in the last 5 years, a reduction in an effective as well as more than half of them Ungoverned, which are in the national territory, but, as it is a domestic species of animal, it falls by the wayside in the VIANA, which, in the face of the decline of grazing, one forgets the details are just as important as the cleanliness of the hills, which are responsible for an important role of cleaning the forest ground, one of the best in the actual front lines in the fight against the fires. With the disappearance of the Brazilian goats in the National Park the serra gains ground, turning some clusters into authentic barrels of gunpowder. If overgrazing is a problem, the declining grazing will be another of the same dimensions. 

   The goat bravia is a true Sapper, keeps the access rails open so that in many emergency situations both firemen and other entities can circulate, as well as the most effective cleaning of the matos that exist in the serra. However, despite the efforts of entities such as the Lobo Group, the few shepherds in the Serra persist in not taking advantage of the aid, and without the use of their own grazing dogs, which this group offers along with the feeding for two years, the goats are vulnerable to the hunger of the Wolf. In some villages of baixo Barroso, if in 2015 there were in the parish a number of goats over 6000, today counted, do not reach 400, a decrease that transformed untranslatable places within the areas of baldios, even for local sappers. This year the mayor of Montalegre took the reins of the helm, in order not to lose either The Goat or The Wolf, offering a fixed value to the shepherds depending on the number of cattle, which is given if the wolf attacks their goats or not. An emergency attempt to stop or stop the more than likely disappearance of this species, which supports not only traditions but local gastronomy.

   The Garrano has been shown to be the species most negatively affected by the disappearance of them ungoverned, as the Iberian Wolf was going to attack a little all over the place, and trading back and forth between groups of cattle grazing, which today, because of the scarcity of the goats turned more and more to the Garrano, and every week come reports of attacks by this species is native, which will take thousands of years, and became the main prey of the Wolf is in the news for the Park, and, incredible as it may seem to you, also comes into the cycle from the danger of extinction. The solution is to reintroduce balanced species for the wolf, such as the Red Deer, a species that reproduces with enormous efficiency, that would adapt well to the National Park, that would provide the best food for The Wolf, its favourite and would solve another problem that has not yet been discussed here. The grazing in the mountains takes place in the warmer months, with more animals in the mountains, during the winter, both Garranos and domestic cattle walk more in the outskirts of the villages, which causes the Wolf also to descend in search of food, tragically resulting in attacks on the fields where shepherds leave sheep, attacks on dogs within their properties, and a closer conflict with the human being. By introducing certain prey to The Wolf, we end up keeping both species in the heart of the Serra, the Red Deer, unlike the Garrano, does not descend from the serra to the peripheries, it would be a huge solution for the National Park, for the Lobo and for the grazing. 

   The Institute for the Conservation of nature and Forests will also have to change its attitude towards the villages, they give the impression that they want desertification rather than balance, the relations with this state organism are more and more by a thread, some examples are the goats disemboweled by the Wolf whose analysis of the technicians of the ICNF give the evidence as inconclusive. Even in alta serra we have had goats and cattle gutted by predator and payments denied for lack of evidence. As we know there is no other predator in the National Park, who knows the mountain knows that there is no room for dog packs, which do not exist, the Wolves make their selective cleaning in their territory, and increasingly, therefore, being the only predator, it is regrettable that the organism makes life difficult to the few still existing shepherds who work even more out of passion. As long as attitudes do not change, as long as there is no balance, the Wolf will always be on the table of discussions and open wars between the injured and those who govern.


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